Projeto Dancidade

educadores em formação: Luciana Soares Santos, Emilia Brosig, Nei Rodrigues, Baltazar e Arantes Pina

coordenação: Daraína Pregnolatto
público: 130 crianças de comunidades diversas e estudantes do Col. Est. Christovam de Oliveira.

Fomento à investigação criativa do funcionamento da cidade e origem da população local.

Esse projeto começou a ser desenvolvido no Colégio Christovam de Oliveira com uma turma de 7ª série (na época se chamava série).

Tínhamos duas ideias básicas com o projeto:

1 – desenvolver consciência cidadã nos adolescentes envolvidos pois observávamos (já naquela época) que crianças, adolescentes e jovens desconhecem o funcionamento da máquina pública e se tornam presas fáceis da alienação vigente. A partir da investigação do funcionamento desta máquina por meio de visitas e entrevistas a repartições publicas e seus funcionários, a turma elaboraria pequenas esquetes ou outras formas de expressar o conhecimento vivenciado. A turma era dividia em pequenos grupos que se ocupava de cada visita. Dessa forma, visitamos a Prefeitura Municipal de Pirenópolis e conversamos com o Prefeito, visitamos o Fórum de Pirenópolis e conversamos com o Promotor responsável pelo Ministério Público e o Juiz responsável pela Comarca de Pirenópolis, entendendo as diferenças de funções entre eles e por último, nessa primeira etapa, visitamos o Asilo de Idosos, que causou, inclusive, grande impacto nos adolescentes.

Antes da saída a campo, a turma deveria levantar questões a serem observadas em cada local e perguntas a serem feitas a cada autoridade para depois cada grupo se aprofundar em seu próprio tema.

Para se ter uma ideia, a maioria dos adolescentes não sabia o que queria dizer “público” e não sabiam quem pagava o salário de cada um deles.

A saída a campo foi muito rica proveitosa e os adolescentes ficaram muito envolvidos com o tema.

2 – a segunda ideia era começar uma formação prática com os educadores comunitários que começavam a desenvolver essa capacidade nas tardes de convívio promovidas no Quintal da Aldeia. Essa é uma das facetas da pedagogia do Quintal.

Dessa experiência tiramos duas grandes lições: que as escolas públicas são reféns do aprendizado “bancário” (aquele a que Paulo Freire se refere quando o professor “deposita” seu conhecimento na cabeça dos estudantes) e que os jovens tem medo de experiências que os tirem da zona de conforto. O resumo da ópera foi que a diretora nos chamou para dizer que alguns pais reclamaram que seus filhos não estavam fazendo “nada” nessa tal atividade de cidadania e que ela não poderia mantes a atividade. Por “nada” eles entenderam ser “essas coisas de arte”. A frase que ficou para sempre como exemplo do que não queremos com nossa metodologia foi dita por uma das estudantes de 13 anos: “Ah! sabe, daraína, eu adoro as suas aulas, mas eu prefiro as aulas normais. Eu respondi: Sério? E o que é uma aula normal? Veio então a resposta: Ah! essas aulas normais que a gente não precisa pensar…”. Foi o que bastou para confirmarmos que estávamos no caminho certo.

O projeto teve sequência no Quintal da aldeia com um número bem menor de participantes.